{"id":2456,"date":"2018-09-28T15:52:45","date_gmt":"2018-09-28T15:52:45","guid":{"rendered":"http:\/\/fernandazanchetta.com\/red_companera\/?p=2456"},"modified":"2025-10-02T02:25:43","modified_gmt":"2025-10-02T02:25:43","slug":"28-de-setembro-primeira-declaracao-da-rede-feminista-latino-americana-e-caribenha-de-acompanhantes-de-abortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redcompafeminista.org\/pt\/28-de-setembro-primeira-declaracao-da-rede-feminista-latino-americana-e-caribenha-de-acompanhantes-de-abortos\/","title":{"rendered":"28 de setembro: Primeira Declara\u00e7\u00e3o da Rede Feminista Latino-americana e Caribenha de Acompanhantes de Abortos"},"content":{"rendered":"<p>Em todo o mundo e especialmente no territ\u00f3rio em que habitamos, Abya Yala e Caribe, mulheres e outras pessoas com capacidade de gestar abortamos e seguiremos abortando. Fazemos isso, apesar das leis que nos negam, nos pro\u00edbem e nos colocam em risco de morrer ou de ficar com sequelas f\u00edsicas permanentes produto de abortos inseguros.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste territ\u00f3rio em que habitamos est\u00e3o os pa\u00edses com as leis mais restritivas do mundo, onde mulheres ind\u00edgenas e empobrecidas s\u00e3o condenadas por assassinato e limita-se o acesso a medicamentos para abortar cuja seguran\u00e7a \u00e9 conhecida h\u00e1 mais de 30 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste territ\u00f3rio em que habitamos e resistimos, as mulheres abortamos todos os dias, nas nossas casas com nossas amigas, nos hospitais e nas cl\u00ednicas, nos consult\u00f3rios, nas salas de aula, nas universidades, em todas as partes. Em todas as partes. \u00c0s vezes sozinhas, com culpa, com medo, sem informa\u00e7\u00e3o, sem meios econ\u00f4micos para acessar a uma aten\u00e7\u00e3o digna de sa\u00fade. \u00c0s vezes informadas, acompanhadas e seguras.<\/p>\n\n\n\n<p>As leis que restringem o acesso ao aborto seguro estigmatizam a pr\u00e1tica, limitam o acesso a procedimentos sem riscos, aumentam a quantidade de abortos inseguros, que resultam em mortes ou doen\u00e7as, e favorecem o mercado ilegal de venda de medicamentos e de cl\u00ednicas privadas que lucram com o desespero de quem necessita abortar.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo isso, os governos t\u00eam legislado como se abortar fosse algo muito complexo e perigoso, como se reconhecer a autonomia reprodutiva de mulheres e outras pessoas com capacidade de gestar fosse gerar um caos social, como se o Estado nunca tivesse se separado da Igreja, pois se legisla com crit\u00e9rios religiosos pessoais e n\u00e3o pensando na sa\u00fade p\u00fablica e na dignidade das mulheres e meninas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, as coletivas de feministas acompanhantes de abortos estamos acompanhando, nos encontrando e aprendendo com as mulheres que abortam conosco. Aprendemos que existem mil raz\u00f5es, que os protocolos m\u00e9dicos s\u00e3o superados pela realidade das mulheres, que cada aborto \u00e9 \u00fanico, que cada mulher \u00e9 um mundo. Acumulamos experi\u00eancias significativas, resolvemos situa\u00e7\u00f5es que pareciam imposs\u00edveis, batemos de frente com os nossos preconceitos, aprendemos a dialogar tamb\u00e9m com companheiras de outros pa\u00edses, cada uma enfrentando o seu contexto local, mas com muitas coincid\u00eancias no fazer, no pensar, no imaginar.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim \u00e9 que nos reunimos hoje, 28 de setembro, no Chile, a um ano da promulga\u00e7\u00e3o de uma lei de aborto em tr\u00eas causais que resolve menos de 3% dos abortos no seu territ\u00f3rio, com um governo de direita que estabelece cada vez mais limita\u00e7\u00f5es de acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos e com ginecologistas objetores de consci\u00eancia nas regi\u00f5es em que vivem as mulheres mais empobrecidas do pa\u00eds. A gente se re\u00fane enquanto as companheiras da Nicar\u00e1gua resistem a um governo terrorista que j\u00e1 soma mais de 400 pessoas assassinadas. A gente se re\u00fane inspiradas pela mar\u00e9 verde que come\u00e7ou na Argentina e que sabemos que n\u00e3o vai parar, porque vivemos nas ruas desse pa\u00eds, que nos fez sentir que \u00e9 poss\u00edvel exigir uma lei que nos devolva o m\u00ednimo de dignidade que todas merecemos, e que as vozes das mulheres que abortam sejam escutadas por cima da misoginia.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente se sente ligadas e c\u00famplices faz tempo. Entendemos que \u00e9 necess\u00e1rio e urgente que a gente se una para dar forma a esse emaranhado de estrat\u00e9gias e saberes. Somos ativistas que acompanhamos abortos no Chile, na Argentina, no Peru, na Bol\u00edvia, no Paraguai, no Uruguai, no Equador, na Col\u00f4mbia, na Nicar\u00e1gua, em El Salvador, na Guatemala e no M\u00e9xico. Aspiramos \u2013tamb\u00e9m- seguir nos articulando com coletivas de outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 28 de setembro, Dia de Luta pela Despenaliza\u00e7\u00e3o do Aborto na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, em Santiago do Chile, formamos a Rede Feminista Latino-americana e Caribenha de Acompanhantes de Abortos. Esse \u00e9 o nosso jeito de resistir e gerar pol\u00edticas amorosas que devolvam o aborto ao lugar do cotidiano, como uma decis\u00e3o mais dentro das m\u00faltiplas decis\u00f5es reprodutivas das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos ganhar as ruas todas as vezes que a gente quiser.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos muitas, estamos em todas as partes e n\u00e3o temos medo. Temos umas \u00e0s outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, no Caribe e no mundo todo, aborto livre, legal, seguro, gratuito e feminista.<\/p>\n\n\n\n<p>Rede Feminista Latino-americana e Caribenha de Acompanhantes de Aborto: Con Las Amigas y en La Casa, Socorristas en Red (Feministas que Abortamos), Serena Morena, Cuerpa Aut\u00f3noma, Estamos Juntas, Mujeres en el Horno \u2013 L\u00ednea Aborto Informaci\u00f3n Segura, Las Comadres, Las Parceras, Red Regional de Acompa\u00f1amiento Centroam\u00e9rica, Fondo de Aborto para la Justicia Social MARIA, Las Libres.<\/p>\n\n\n\n<p>Santiago do Chile, setembro de 2018.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En todo el mundo y especialmente en el territorio que habitamos, Abya Yala y el Caribe, mujeres y otras personas con capacidad de gestar abortamos y seguiremos abortando. 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